Sayonara, Gangsters
Posted by Fábio Brito on set 2, 2008 in Destaques, Literatura • 1 comment
Sabe aquele livro que você vê a capa e o tÃtulo e estes te chamam a atenção? Daà você pega e resolve ler a sinopse e fica tentado a comprar, mesmo sem nunca ter ouvido falar do dito cujo… então resolve dar uma folheada e finalmente segue até o caixa com o livro nas mãos e acaba comprando por impulso mesmo, sem ninguém te recomendar ou ler um review em algum outro lugar?
Foi assim o meu contato com o Sayonara, Gangsters de Genichiro Takahashi, e não me arrependo nem um pouco de ter comprado. A propósito, talvez eu acabe comprando outras coisas do Takahashi, afinal esse ainda é o primeiro livro dele traduzido para o português.
O livro se passa num ambiente caótico que mistura elementos futuristas com retrô, e até mesmo retrofuturistas, e conta a história de um professor de poesia que tem sua vida alterada por um grupo terrorista chamada Os Gansgsters.
É o tipo de leitura que te faz surtar, te faz pensar, às vezes te faz rir muito, e em seguida dá um tapa em tua cara, seguido por um soco no estômago e te faz chorar igual a uma garotinha.
O estilo de escrita é pra lá de surreal, contando com a personificação de VirgÃlio (aquele poeta romano autor da Eneida e que aparece na Divina Comédia) em forma de refrigerador, e de um gato chamado Henrique IV que é viciado em coquetel de leite com vodka e queria ler Thomas Mann.
Agora um conselho: não leia esse livro após comer PsychoPasta ou enquanto estiver ouvindo Pink Floyd. Explico: assim como quando você faz exercÃcios fÃsicos além do que está habituado, seu corpo produz naturalmente ácido lático. Uma efeito similar acontece quando se consome muito material psicodélico. Seu corpo também passa a produzir naturamente um ácido, e dessa vez não é lático e sim lisérgico.
Passou-se um longo tempo.
Vivemos todo esse tempo sob extrema tensão.
Finalmente, num tom selvagem e grave, o “Gangster Calado” bradou as palavras “Confeito de chocolate”, o “Gangster Gorducho” e o “Gangster Bonitão” se deram um forte aperto de mão. O “Gangster Baixinho” estalou os dedos e gritou “Bravo!”.
- Confeito de chocolate - gritou outra vez o “Gangster Calado”, como se quisesse certificar de que tinha realmente conseguido dizer aquilo, pronunciando novamente sÃlaba por sÃlaba com ternura. Dessa vez as palavras possuÃam o mesmo vigor e frescor caracteristicos de todo o seu discurso original.
- Continue - pedi.
- Caixinhas de caramelo com brinde! - disse o “Gangster Calado”, sem hesitar.
- Bola de gude.
- Jogo de bafo com figurinhas.
- Judiação pelos colegas de escola.
- Exame fÃsico.
- Verme intestinal.
- Hérnia.
- Bebê chorão.
- Cabeça-dura.
- Cambaio.
- Estúpido.
- Pateta.
- Nariz de batata.
- Ozena
- Caipirão.
- Pervertido.
- Ejaculação precoce.
- Inútil.
- Oportunismo.
- Obrigado. Já basta - eu disse, colocando meu braço sobre o ombro do “Gangster Calado” para conduzi-lo de volta ao assento, enquanto ele continuava a falar com a mesma fisionomia severa de antes.
Em seguida, disse ao “Gangster Gorducho”:
- Agora é a sua vez. Por obséquio.
Este post foi originalmente publicado no PsychoPenguin Weblog e republicado aqui com algumas modificações.
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