Tatuagens: Entre construções identitárias e modismos

Posted by Janaína Calaça on set 9, 2008 in Comportamento, DestaquesNo comments
As tatuagens atravessaram mais de 3000 anos de história e antes o que funcionava como sinais que identificavam tribos e que marcavam acontecimentos da vida do indivíduo, assim como seus rituais de passagem, hoje tem seu uso e significado pluralizados. A tatuagem ainda, de forma mais restrita, é utilizada para a identificação de alguns grupos, no entanto o mais comum é vê-la associada ou à construção identitária do indivíduo ou transformada, por muitos, em apenas parte de uma composição delineada pela moda.

Há décadas atrás, as tatuagens, reiterando sua feição de identificação de grupos, eram utilizadas primordialmente por marinheiros e por prisioneiros (as tão populares tatuagens de cadeia), restrigindo o seu uso a grupos específicos ou marginalizados, o que acabou por alimentar um preconceito, em menor intensidade hoje, mas ainda existente, em relação à arte corporal. As tatuagens ainda provocam estranhamento em algumas pessoas, principalmente as que partilharam deste contexto, em que as mesmas eram restritas a grupos que estavam à margem. Não são raras as histórias de pessoas que tiveram dificuldade em encontrar emprego em meios mais formais, como na área jurídica por exemplo, em função de uma das conotações da tatuagem ou seja, trocando em miúdos, muitos as consideram ainda como “coisa de marginal”.

Da identificação de tribos a grupos específicos, a tatuagem hoje encontra-se muito mais difundida na realidade individual, ou seja, cada vez mais as pessoas estão as incorporando no seu processo de construção identitária, mesmo que este processo consciente. O caminho aqui bifurca-se entre aqueles que tatuam desenhos ou símbolos por conectarem o significado dos mesmos à sua vida e aqueles que tatuam qualquer coisa para se sentirem inseridos em algo que acreditam estar na moda. Não raramente vemos pessoas entrarem em estúdios sem saber ao certo o que tatuar. Há algum tempo atrás, a “moda” era ter tatuagem tribal, mesmo que quem as trouxesse para o corpo não fizesse a mínima idéia do significado daquela tatuagem. Em outro momento, o boom das tatoos foram os ideogramas japoneses, espalhados por centenas ou milhares de corpos que frequentavam os estúdios. O problema em tatuar algo que está “na moda” é justamente não lembrar da transitoriedade da mesma. A moda muda de estação em estação e o que hoje está no topo amanhã pode ser visto como ultrapassado.

A tatuagem envolve a consciência de que algo te acompanhará até a morte. Discordo desta coisa toda de eternidade. A tatuagem tem seu ponto final em parceria com nosso ponto final. Mesmo com todas as possibilidades de retirada a laser, ainda entro em um estúdio consciente de minha escolha. O problema maior enfrentado pelas pessoas que tatuam por modismo é justamente deparar-se com a realidade depois do oba-oba do “eu estou em sintonia com a moda”. Depois que passa, o que antes era mostrado com orgulho, passa a ser escondido ou encaminhado para sessões de retirada a laser. Quando o mesmo acontece, a probabilidade é de que esta tatuagem seja sufocada por outra, que geralmente esteja na moda.

Acredito que a escolha de uma tattoo deva estar ligada à personalidade do indivíduo, suas paixões e que seja acima de tudo algo que a singularize e não que a faça se parecer com a modelo tal ou a/o atriz/ator tal. Cada corpo carrega uma história e referenciais distintos e olhar para o corpo e não enxergar sentido no que vê tatuado é problemático e acaba mais tarde por gerar frustração. Quem tatua algo de forma consciente, quem escolhe imagens que tenham haver com suas escolhas pessoais e com sua personalidade, estabelece uma relação mais saudável e mais natural com as tatuagens. Quem é guiado por modismos não só corre sérios riscos de se arrepender mais tarde como também vivencia uma dificuldade grande em encontrar-se como indivíduo, perdendo-se entre aquilo que acredita ser escolha e aquilo que é introjetado pela moda e suas tendências. Certa vez minha mãe me perguntou se eu conseguia enxergar o ridículo de ser mais tarde uma velhinha tatuada. Bom, serei uma velhinha tatuada e consciente de cada imagem que pus em meu corpo. Só externalizei traços de minha personalidade, só apontei caminhos sobre mim e, definitivamente, não tenho razões para me arrepender disso.

Quer saber mais sobre tattoos?

A história da tatuagem

Blogs e tattoos

Tattoo Show

A Tattoo

Estúdio que eu indico em Salvador (Saio de São Paulo para me tatuar lá).

Dragon Art Tattoo

Tel: (71) 3244-4000.

Cel: (71) 8708-0439.

E-mail: ailtonart@hotmail.com

Cuidados com a sua tattoo

- Retire a bandagem após uma hora;

- Lavar com água fria e sabão neutro;

- Secar totalmente o local tatuado;

- Aplicar duas vezes ao dia uma leve camada de pomada cicatrizante indicada por seu tatuador;

- Evitar sol, sauna, praia e piscina durante os vinte primeiros dias;

- Não retirar a casca que irá se formar;

- Evite alimentações remosas e condimentos.

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